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Desato

24/02/2011 .

É preciso fritar o arroz bastante antes de jogar água fervendo.
E não pode mexer jamais depois de a água ser posta.
O alho deve fritar no óleo junto com o arroz.
Coisas que eu sei e que não. Eu sei muitas coisas.
Faxina por exemplo. Sei limpar uma casa de tal modo
Que não sobra um canto que não tenha sido tocado
Por minhas mãos.
Depois vou sujando. Com muito gosto.
Deixo peças na sala e louças sujas na pia.
Não na mesma hora mas um pouco
Bastante depois volto limpando.
Assim me faço.
Nos objetos que me acompanham.
Gosto de andar nas ruas e comprar coisas
Que vão se arrumando em torno de mim.
Tenho muitas coisas, quero dizer, tenho muitas camadas.
Uma camada de livros outra de sapatos.
Tem a camada de plantas. E toalhas de rosto.
Tenho camadas de cosméticos e de adereços.
Uma camada de nomes e de coisas que vejo.
Tudo ordenado ao meu redor. Em forma de corpo.
Um corpo que me sustenta quando o meu próprio me falta.
Cadeiras são meus ossos. Sapatos são meus braços.
Torneiras em meus poros. Paredes como roupas de inverno.
(Quando toca música em minha casa sai do umbigo)
Descanso recostada nas paredes da casa
Que me guardam como um abraço.
Me abraço quando me derramo na sala.
E na cozinha. Em geral adormeço no quarto.
Tudo em minha casa tem existência.
Todas as coisas significo.
Com os olhos. Ou com as mãos.
Minha casa tem silêncios
Que ás vezes ouço. Em meu corpo
Tem silêncios maiores ainda.
Que às vezes ouço. E faço poemas.
Faço poemas dos silêncios que ouço.
Viviane Mosé

9 Comentários:

Rike disse...

Olá, Arte e Café!
A vida é como a casa da gente, temos que cuidar, se não...!
Bjs!
Rike.


P.s.: espero que não se importe, mas linkei seu blog lá no Kumidas & Abandonadas.

Arte e Café disse...

Olá querido amigo Rike!
Temos que cuidar de todo bem que nos cerca!
E a vida é o bem mais precioso que temos!
Obrigada pelo link e também pela sua amizade e presença!
Beijos

Ademar disse...

Olá Alba.
Todos nós possuímos muitas camadas e eu vejo a representação disso neste poema. Todos nos 'sujamos' as vezes com pensamentos ou emoções que não condizem conosco, e os que são sabios logo se 'faxinam' para não permitir a esta sujeira tomar conta de nós. Sermos capazes de aceitar como somos diversos e unicos talvez seja uma de nossas maiores qualidades.
GRANDE abraço minha amiga.

Jucifer disse...

ola minha rica flor alba
bem este foi demais pra minha mente ruiva
ovo toma uma 4 cuias pra ver se clareio minhas ideias isso de silencio q ouço
de limpa limpa
sera q esta ligado a faxina diaria q temos q fazer em nosso interior ouj poderia ser em nosso exterior pois é o q os outros veem com mais facilidade e o silencio seria o grito contido por tentar agradar o alheio
mas tbm pode ser apenas como o rike falo
manter a vida limpa limpar todos os cantinhus como nossa casa
ainnnnnnnnnnnnnn ta vendo hj acordei meia sei la kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
num importa se sei ou naum fazer arroz
se ouço ou naum o silencio
importante é ter o controle da situação
e sempre arrumar sua propria bagunça
haaaaaaaaaaa lembrei tenho q novamente pela oitava vez manda minha nanica arrumar o quarto kkkkkkkkkkk

bjimmmmmmmmmmmmm minha rica flor Alba

Jackie Freitas disse...

Olá minha querida amiga Alba!
Ahhh....que delícia de poema...maravilhoso!
Fiquei aqui pensando sobre aquele nosso papo num outro post seu, onde falávamos dos sons do nosso "silêncio" noturno... E essa analogia da casa como nossa morada, vezes arrumada, vezes bagunçada, é perfeita! Porque somos assim mesmo... muitas vezes precisando de nosso chão, das paredes para termos o conforto e a sensação de aconchego e paz. É uma desconstrução que se reconstrói a todo instante...
E quando ao silêncio, minha linda...voltando a ele... Como o som dele nos faz bem ao coração... Acho que também consigo compor ouvindo a minha bagunça e arrumação...
Lindo, amiga! Maravilhoso mesmo!
Grande beijo,
Jackie

Valéria disse...

Alba, ando sumidinha, mas hoje tive um tempinho e venho aqui e encontro este teu post..... delicia!
Somos assim mesmo, quanto mais arrumamos e limpamos, mais temos o que limpar e arrumar e este "serviço" não termina nunca.... mas apesar de cansativo nos oferece uma louca sensação de tranquilidade.....
Adorei mesmo...
Beijo no coração

joselito bortolotto disse...

Não sei por que, mas esta "escrivinhação" me fez lembrar de Raul Seixas ....

Otávio Avendano de Vasconcellos disse...

Olá,minha amiga Alba. Delicioso poema, que nos faz pensar nas diversas roupagens que usamos na vida e com muito prazer, quando sentimos a vida pulsando junto com a gente, nesse emaranhado de emoções e sentimentos que nos trazem algumas coisas simples como a cadeira onde sentamos, a mágica de cozinhar arroz...

vidarealdasam disse...

Olá minha queridíssima Amiga !!!

Que poema maravilhoso !!! Belíssima escolha, como sempre !!
Me identifiquei do início ao fim !!!
As camadas que me seguram em pé quando meu próprio corpo me falta, as paredes que me abraçam, a casa que arrumo com carinho e depois desarrumo com alegria, todas as coisas aqui tem um pouco de mim e eu talvez um pouco delas, é uma sensação que venha talvez pelo fato de estar sozinha em casa na maior parte do tempo, ou talvez seja uma característica do ser humano, mas sei que assim sigo, também em alguns momentos dando ouvidos ao meu silêncio, ou ouvindo o que me cerca...
Lindo demais, amei !!!
Um mega beijo marcial e que sua semana seja maravilhosa !!!

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