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Uma Arte

18/04/2017 .

A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subsequente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você ( a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério.

(Elizabeth Bishop; tradução de Paulo Henriques Brito)
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Pra hoje....

17/10/2016 .
" A vida é breve para ser sobrevivida.
Vamos viver !
A cada pôr do sol, a cada instante.
Tudo é uma dádiva fugaz.
Todo ser é um novo horizonte a ser contemplado!"
__Alba Simões

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A eternidade do instante

21/09/2016 .
As coisas tem o tempo que tem.
Indagações diante de um luar submetiam um reflexo de mim e a imagem criada de outros...
Para  o meu reencontro era preciso suavemente escravizar-me aos sentidos, cruelmente inevitáveis...
Uma fórmula de acreditar no amor e em suas contradições. 
Não este amor carnal e de egos.
Há tempos guardei dentro de uma caixinha de música - 
Estes amores de transes e de noites mal dormidas.
Sobrevivi  as contradições e as feridas...
Era preciso ultrapassar  a vaidade e as compaixões.
Nascia em mim uma ternura incompreensível.
E eu compreendi a eternidade de um único instante!
Alba Simões
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Sabe aquilo que deixei?

19/12/2015 .
Um tigrinho preto
abandonado e manco um filhote
Alimentei-o, e eu era nada
Num palco azul, quase que distante, surge um Leopardo
Anoiteceu um mistério de mãe, que deixa seu rastro e vaga...
Sabe aquilo que deixei?
Um espelho, uma vida, e sonhos adormecidos.
Um elo, um eco é um vazio de reflexos sem respostas.
Alba Simões

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Mundo Inventado

26/09/2015 .
Deixo o mar esculpir a pedra, adormeço numa caverna sem tempo ou memórias.
Fico como uma ostra perdida, na dor que se faz a pérola.
Este é meu mundo real, onde habitam todos meus personagens: Os bons e os maus.
Os bons me aconselham a retidão e o silencio, os maus me convidam ao mergulho em busca de alimentos...
Muito longe ficaram as cidades perdidas, os loucos engaiolados na matéria.
Minha alma está em paz, há uma parede invisível que me separa.
Vejo tudo o que não me faz mais sentido: As coisas acumulam poeira, as coisas estão sempre sujas, e todas estas coisas tem um preço.
E neste mundo os loucos se deslumbram por coisa que brilham nas vitrines, coisas que depois de adquiridas perdem o brilho, em pouco tempo viram entulho, e como nós viram pó.
Porque este frenesi em adquirir consumir, construir, demolir é implantado pela Matrix de um sistema caótico.
E ainda tem as embalagens para o desespero dos consumistas, e as malditas etiquetas nos lugares mais impróprios das roupas.
Aquelas que coçam na nuca ou na lateral das costelas...
O aspirador de pó ligado, um celular tocando e os ponteiros te mostrando que você sempre está atrasado.

”A melhor maneira de sair do inferno é saber onde fica a porta da entrada”.


Alba Simões
( Mundo Inventado – Setembro 2015 )


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