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O Corpo Celeste

03/06/2012 .
Desprendia-se do tempo com um breve sorriso.
Tudo ritmava descompassado. Eram sons que enraizavam na terra, martelando serrando, cavando... A britadeira ferindo a pedra.
Os tímpanos do mundo estavam cansados. Quis ensurdecer-se, sem vocação para os ruídos que transformavam as coisas...
De súbito lhe ocorreu a passagem da Via Crucis, silenciando sua mente. Pois alguém estava morto por ela, alguém que suportou pregos na carne, e agora estava na parede, em forma de um terço e nenhum terço da humanidade se lembrava mais...
E regressou depois até o Big Bang, hesitou em vertigens estar lá, no exato momento da concepção do Universo...
Em êxtase estava no meio do nada e a sensação era boa. A principio teve medo desta sensação de ainda não estar existindo!
O telefone tocava há anos luz... Quem estaria na linha?
Voltava ao grande colapso: Múltiplas cores, festejando o nascimento de um primeiro átomo. A concepção do mundo:-Era um ato de amor, mas era também paixão de Deus que descobria a terra e parecia que ela estava em estado de volúpia...
Assim consumava-se diante de seus olhos o início do amor e do ódio.
O terço na parede, e nele um corpo e sua cruz. E ela que nunca tinha rezado, acreditava no milagre. Ela sabia que haveria a salvação e redenção. Então rendeu-se também a deixar-se transportar por esta viagem sem destino.
Adentrando a vida de todas as mortes.
Desembarcando no tempo em que só havia a matéria, talvez almas de anjos e divindades, e percebeu que ela também tivera se transformado através destes séculos... Estava sendo esmagada por uma pata enorme de um dinossauro. Maldito!: - Ela pensou. Aquele momento de dor, a pata gigantesca de um lagarto pré- histórico poderia destruí-la? Não sua matéria. Pois esta ainda não existia. Assustou-se com a hipótese de que aquele peso pudesse arruinar sua volta para casa, caso lhe destruísse o pensamento... Que devaneio!
E o pensamento criava boca, uma boca de carne utópica que gargalhava por saber que seu predador era de vida breve,e muito antes de ela ser, ele estaria extinto...
Efêmero! Como sentiu prazer nesta palavra, era volátil como ela. Estava tão encantada pelo efêmero, que nem percebera a extinção do réptil e a desintegração de toda a sua espécie.
Pensou no enlace destas coisas abstratas que era ela - a volátil e o que era ele - o tempo. 
O tempo era agora seu herói, tivera lhe salvado o pensamento. Sim era isso, estavam sendo cúmplices.
Derradeiramente então poderia até amar o efêmero.
Era o verbo sem conjugação, os ecos de um pensar, apenas. Que coisa bonita ela era; sem ser nada! O pensar sem matéria, sem dramas, sem paixões, sem dores, sem fome.... 
Era um mistério e uma revelação! O pensar era digno, essencial e único. Como um sobrevivente libertado.
Não escreve-se o Pensar, ele é indomável como o Tempo.
Quero voltar para casa, estou tão distante e diferente depois desta densa jornada. Não sei qual é o caminho de volta.
O destino me faz reconhecer as estrelas através da janela do meu quarto esquecido em milênios.
O terço na parede envolto pela meia luz de uma vela que chega ao fim.
O relógio me indaga sobre as horas, como um pai que dita regras. É tarde ou cedo demais?
Gostaria de ter certezas, mas quem sou eu para saber das certezas?
O sono me convida ao abismo do esquecimento.
A casa está igual, exceto o corpo celeste que vejo na cruz do terço.
Agora as paredes são invisíveis aos meu olhos. E os ruídos do mundo,não me atormentam...
O pensar me transformando novamente em matéria viva.
Concluí que ele tivera me seduzido ao longo destes anos e agora poderia me trair... E quem era aquela que fui ?
Volátil, efêmero, átomos e concreto. 
Tudo religava-se novamente.
O universo a grande comunhão incompreensível...
A casa, a cruz, e o meu corpo eram uma coisa só.
 Alba Simões

5 Comentários:

Beth Muniz disse...

Oi minha querida amiga,
Eclético, estétetico, dialético, profundo...
Em ebulição, como é a tua essência, que conheço um pouco.
Um mergulho, mais que profundo no ser, a procura do encontro com o eu.
O teu!
Lindo!
Obrigada pelo carinho.
Compartilhado e espalhado.
Beijo, grande.

International Directory Blogspot disse...

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Van disse...

Alba querida,

Que texto instigante!

Segundo a física quântica habitamos todos os tempos e todos os espaços simultaneamente.
A complexidade do que somos pede o infinito para que nos compreendamos, ainda assim...

Beijos e saudades, querida escritora!

LUANA ROMARIZ disse...

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