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Horas Inexatas

01/12/2011 .
Eu  não tenho o refúgio indébito da paz que eu queria...
Tenho comigo o degelo que a humanidade julga indigno.
A impressão que me fica, é que ao me atirar na fogueira estala uma esperança que já era só cinzas...
Ah, que estas horas inexatas me são dadas e eu as consumo como única vaidade que me resta.
O  apito de um trem que se distancia vem soar no meu ouvido como ruído vivo... É a música que fala da humanidade indo e vindo...
E eu quero sentir o meu corpo concedendo vida ao meu espírito, porque eu temo deparar com o abandono de ficar...
As masmorras que me aquecem são frias...
Cuida de mim criança que fui, eu não quero padecer esta noite. Se tuas mãos pudessem passar leves pela minha cabeça, mas eu só consigo te ver nos meus sonhos. Você está sempre me acenando com o olhar triste...
Se ao menos você me acusasse por aquilo que eu lhe fiz, mas eu não ouço a tua voz e teus olhos não me reprovam...
Então fica o vazio do adeus entre eu e você.
Cada segundo que passa nos distancia ainda mais...
Não há reencontro nem refúgio...
Eu silencio minh’alma e me entrego ser errante.
Já não há mais buscas, o trem apita ao longe...
Amanhã é a soma de muitas horas e ainda há corda no relógio!
( Monólogo do Personagem Nestor Adeus extraído da Peça O Último Vagão de Alba Simões )

9 Comentários:

Angella Reis disse...

Maravilhoso Alba! Há tamanha profundidade em tuas linhas. Gostei imenso.

bjs

Jackie Freitas disse...

Oi minha querida amiga!
Que adorável! Amei, amiga! Principalmente a parte em que fala da criança que se distancia...
Tenho conversado muito com a minha criança e também não sinto seu olhar de reprovação, mas escuto a sua voz fraquinha, lá no fundo, me perguntando sobre as promessas que fiz a ela... Não tenho tido muitas respostas e tudo o que sei é olhar pra frente e tocar adiante... De vez em quando olho pra trás e a vejo..cada vez mais longe. Tenho comigo que ainda iremos nos reencontrar e talvez todo esse caminhar se tornem passos de volta...
Grande beijo, minha querida amiga! Saudades de você!
Jackie

BLOG DE POESIAS DO PROFEX disse...

Alba, senti-me emocionado com seu texto. Por que evidencio a necessidade de fazer as pazes com esta criança interior. Sapeca e sincera diante do adulto que nos tornamos.
Grande abraço!

Van disse...

Que maravilha este texto Alba.
Minha criança ainda brinca em mim, preserva-la é fundamental, grande sabedoria a sua.

Beijos

José S. Pereira disse...

Fantástico Alba!

A consciência... ah, a consciência. Tanto lutamos para tê-la e sofrer a perda da inocência.

Nos condenamos, amiga. E, mesmo assim, sorrimos. Amarelo, sem graça, escondendo um nada nas mãos, como se fosse um tesouro preciosíssimo, que deve ser protegido dos olhos mundanos, felizes. Sim, felicidade feita ante o inevitável. Conscientes e saudosos da inocência.

Beijos

Beth Muniz disse...

Nossa!
Que bela peça.
Pura arte pura.
Fêz-me lembrar de um Bonde Chamado Desejo, de tão rica construção poética e criação.
Se tem algo a ver?! Snceramente não sei.
Bela e leve mistura da música, filme (Olga) e cenário. Lindo, lindo!
Além do sofrido exercício (da personagem) de dacantação em seu caminhar de rediscobrimento.
E aí?! Quando terei o prazer de degustar a peça completa?!
Beijo querida Alba.
Para você: Aplausos!

Cigano disse...

Magnífico!
Mais uma obra-prima!
A profundidade costumeira, envolta em tanta reflexão e indagações...
Que toque de Midas possuis, Querida Alba!
Quão feliz sou a cada vez que me deparo com seus ditos, pois em nada se igualam ou em nada são previsíveis.
Tens o dom de trazer à tona dimensões ignoradas, de forma branda, mas consistente.
Palavras simples, deste teu eterno Admirador.
Beijos em seu coração!

Ivaldete Piunti disse...

Nossa! ei viajei nesse texto, mto lindo, uma linguagem boa demais.
Um abraço. Fica com Deus.

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