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“Liberdade, Liberdade!”

12/11/2011 .

Liberdade, Liberdade, de Millôr Fernandes e Flávio Rangel
Cartaz da Peça: Liberdade, Liberdade, de Millôr Fernandes e Flávio Rangel
O Teatro Brasileiro e a Censura": 4ª Edição
“Liberdade, Liberdade!”
Obra pioneira do teatro de resistência, denuncia de forma lírica a opressão que dominou o país nos anos de chumbo da ditadura. Trata-se de vários textos que falam do direito à liberdade. Os textos são adaptações de outras obras, e conseguem desenvolver uma estrutura dramatúrgica com fragmentos da literatura universal voltados ao tema da liberdade, costurados com músicas da mesma temática e também com algumas piadas. “Liberdade, Liberdade!” Considerada uma obra de destaque que influenciou fortemente a dramaturgia de sua década. 
A realidade instalada no Brasil a partir do golpe de 1964 deu um novo rumo ao teatro de Millôr Fernandes: defensor do livre arbítrio, ele se torna, desde o início, um ferino questionador do esquema repressor que dominava o país. O primeiro fruto desta atitude foi Liberdade, Liberdade, peça escrita com Flávio Rangel.
A obra tentou traduzir o inconformismo da nação perante o arbítrio e a repressão do regime, inaugurando um estilo de espetáculo que viria a ser chamado “teatro de resistência".
Liberdade, Liberdade recorre a 19 personagens para rever e reavaliar este tema, aplicando-o à realidade atual. Em cena, os atores se revezam na interpretação de textos clássicos de autores como Sócrates, Marco Antonio, Platão, Abraham Lincoln, Martin Luther King, Castro Alves, Anne Frank, Danton, Winston Churchill, Vinícius de Moraes, Geraldo Vandré, Jesus Cristo, William Shakespeare, Moreira da Silva e Carlos Drummond de Andrade, entre outros.
O resgate dos períodos históricos passa também por 30 canções ligadas ao assunto, interpretadas ao vivo por uma banda musical. Nas palavras de Cecília Meirelles, também parte do texto, o espetáculo trata da “liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”.
A colagem de textos de vários autores numa peça de dramaturgia já era adotada no teatro moderno, mas, à época no Brasil, se constituía numa novidade.
Embora bastante questionado na época, por ser mais um show do que propriamente uma peça de teatro, Liberdade, Liberdade revelou-se uma iniciativa seminal, que influenciou fortemente a dramaturgia da década. 
"Um clássico da dramaturgia brasileira e um espetáculo que grita por um mundo melhor e mostra os dias difíceis da ditadura e o resgate da historia política brasileira. "O espetáculo traz um panorama sobre a idéia de liberdade na arte, na cultura e na política, oferecendo ao espectador a oportunidade de rever e repensar o tema. Ele sai do teatro com muito mais perguntas do que resposta, o que considero muito mais transformador e instigante". (Flavio Rangel)
“Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta,
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda.” (Cecília Meirelles)
* * *
“Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-las”. (Voltaire, filósofo francês)
* * *
“Pode-se enganar algumas pessoas todo o tempo; pode-se enganar todas as pessoas algum tempo; mas não se pode enganar todas as pessoas todo o tempo.”
(Abraão Lincoln, presidente norte-americano)
* * *
“O mal que os homens fazem vive depois deles. O bem é quase sempre enterrado com seus ossos.” (Shakespeare)

12 Comentários:

Antonio Pereira (Apon) disse...

Olá Alba!

O teatro, a música, o cinema... Enfim, as artes, tocam mentes e corações, acordando consciências contra as obscuridades. Liberdade sempre!

Um abração e boa semana.

Jackie Freitas disse...

Oi minha amiga querida!
Que saudades!!! Estou sumida (eu sei), mas acredite que a saudade é grande!
Curioso, querida, que ultimamente ando "pregando" sobre a liberdade: espiritual, intelectual, de ir e vir, de viver... Acho que ela é a essência que nos renova, que nos orienta e que pode nos levar a muitos encontros...inclusive ao nosso!
Bem, como sempre é um enorme prazer cultural e intelectual visitar seu blog! Estava precisando dessa injeção para sair um pouco da minha paralisia mental...
Grande beijo, linda!
Jackie

Dú Pirollo disse...

Boa noite, minha querida amiga Alba!!!
Minha amiga, que bom poder conhecer mais um episódio e mais uma bela obra deste período negro de nosso país. É muito bom a gente poder conhecer essas peças que ficaram trancafiadas pela ditadura por um bom tempo. Parabéns pelo belo trabalho minha amiga, adorei passar por aqui!!!
Tenha uma linda noite e um maravilhoso e abençoado domingo!!!
Beijos com carinho e muita paz!!!

Beth Muniz disse...

Querida Alba.
Minha dramaturga preferida! rsrsr
Arrasou!
Liberdade: Sem este precioso direito não somos absolutamente nada, em todos os sentidos
Você sabe o quanto sou fã dessa preciosa peça, um marco da luta artística, teatral e cultural em prol da liberdade de expressão, em tempos duros em nosso país.
Mas, como cantou o Chico, “Vai passar...”. E passou!
Passou deixando-nos um legado de memórias e cultura que jamais poderão ser esquecidas.
Belo trabalho de pesquisa.
E você minha querida, cumpre um papel fundamental nesse processo de resgate.
É por isso que cada vez mais continuo sua fã!
Compartilhado com imenso prazer.
Beijo e obrigada.
Ah! O Arte está show de bola!
Viva Zumbi dos Palmares! Viva a Liberdade!

Luiz Scalercio disse...

OI ALBA.
nossa fiquei emocionado de ver
esse seu trabalho lindo que vc faz.
adorei esse texto belissimo.
prbns continua assim fazendo muito sucesso.
um abraço.

José S. Pereira disse...

Flávio Rangel, Millor e um tempo mágico. Nossa, Flávio em lia na Folha, quando a Folha era um Jornal. E Millor... "Bons Tempos, ein?".

Bons ventos tragam a velha inspiração à nossa juventude. Estamos precisados.


Beijos

Alba Simões disse...

@Antonio.
Concordo plenamente!
As artes tem este grande poder de libertar-nos!
Obrigada pela presença e participação!
Ótima semana!
Grande abraço!

Alba Simões disse...

@Querida amiga Jackie
Estamos na mesma órbita de consciência, rsrs!
Realmente esta liberdade de estarmos onde queremos e quando podemos, é preciosa!
Obrigada pela amizade, carinho e perfeito comentário!
É sempre muito bom recebe-la, e saber que está muito bem!
Beijos com carinho!

Alba Simões disse...

@Querida amiga Beth
Muito bem lembrado esta composição do Chico foi um grande marco!
Tanto cultural como historicamente falando!
Muito obrigada pela sua estimada presença, amizade e sábio comentário!
Beijos com carinho!

Alba Simões disse...

@Amigo Du.
Realmente estes anos de chumbo, trancafiaram obras valorosas!
Vala a pena reapresentar, divulgar, estas grandes pérolas.
A nossa cultura tem muita história, foram muitas lutas por esta almejada Liberdade!
Obrigada pelo incentivo, apoio, presença e amizade!
Beijos com carinho!

Alba Simões disse...

@Amigo Luiz
Eu quem agradeço seu apoio e prestigio aos artigos!
Muito grata pelas palavras motivadoras!
Grande abraço!

Alba Simões disse...

@Amigo José!
Que os bons ventos soprem as novas gerações, inspirações plenas de sabedoria.
Obrigada pela presença e comentário!
Beijos

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