7

Aprendendo a viver

21/11/2011 .

Então isso era a felicidade. De início se sentiu vazia. Depois os olhos ficaram úmidos: era felicidade, mas como sou mortal, como o amor pelo mundo me transcende. O amor por essa vida mortal a assassinava docemente aos poucos. E o que é que se faz quando se fica feliz? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda que já está começando a me doer como uma angústia e como um grande silêncio? A quem dou minha felicidade que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta. Não, ela não queria ser feliz. Por medo de entrar num terreno desconhecido. Preferia a mediocridade de uma vida que ela conhecia. Depois procurou rir para disfarçar a terrível e fatal escolha. E pensou com falso ar de brincadeira: “Ser feliz? Deus dá nozes a quem não tem dentes.” Mas não conseguiu achar graça. Estava triste, pensativa. Ia voltar para a morte diária.
Clarice Lispector do Livro Aprendendo a Viver 

7 Comentários:

José S. Pereira disse...

O inferno conhecido assusta menos que as possibilidades do desconhecido. Infelizmente, nos educam para evitar a dor. Da Tristeza e Sofrimentos retiraram a dignidade. E, enverohnadamente, a evitamos. Azar o nosso, quando o preço da felicidade, invariavelmente, é composto por um bom bocado de enfrentamentos. E tristezas. E sofrimentos.

Clarice é fantástica mesmo. Excelente Alba

Samanta Sammy disse...

Olá minha queridíssima amiga !

Mil perdões pela ausência e demora, mas a coisa está preta no trabalho, ando até vesga kkk e não gosto de visitar na pressa, sem poder me entregar à leitura e apreciar cada pedacinho :)
Mas cá estou euuu !!
Eu amo esta forma da Clarice descrever sem pudor, sem medo e sem vergonha, o caos interno que nos aflige !
Neste trecho ela mostra muito bem como somos avessos a mudança, a alegria ! Preferimos às vezes não sair de nossa zona de conforto, mesmo que não seja boa, pois temos medo do desconhecido, de algo que não sabemos lidar e muitas vezes, justamente por isso, acabamos abrindo mão de muitas coisas maravilhosas...
Uma realidade que deveríamos refletir sobre , para não desperdiçar a felicidade !!
Lindo demais !!

Um super beijo marcial e um abraço apertado !
Boa semana !!

Alba Simões disse...

@Caroll
Grata presença e elogio ao artigo!
Sempre bem vinda!
Beijos

Alba Simões disse...

@José
Cada novo segundo esbarramos neste desconhecido.
Quando percebemos já estamos inevitavelmente entrelaçados com o novo...
Acredito que toda aceitação é um desafio que enfrentamos para buscar esta possível felicidade.
Em vários de seus textos C.Lispector evidencia que a felicidade de seus personagens transborda, por não terem como dividi-la!
Obrigada José, pela presença e expressivo comentário!
Beijos

Alba Simões disse...

@Querida amiga Sam
Que bom ter sua presença!
Ah, o tempo anda curto mesmo, não tem nada que se desculpar.
Você sabe que é bem vinda a qualquer momento!
E adorei a sua interpretação do texto.
Realmente por medo, ou comodismo, perdemos valiosas aprendizagens em nossas vidas!
Muito obrigada pela visita e belo comentário!
Grande beijo Marcial e uma ótima semana!

Beth Muniz disse...

Há os que desejam imensamente aprender viver, mas não conseguem sequer dar um passo nesta direção.
Outros, vivem intensamente mas não conseguem frear os passos que os levará a um abismo desenhado pelo amor.
No entanto, o mais importante e aprender e descobrir quais caminhos percorrer.
É como diz a música: Vivendo e aprendendo a jogar...
Minha querida Alba,
Clarissse é única!
Grande beijo.
O Arte é tudo de bom! rsrsrs

Postar um comentário

MyFreeCopyright.com Registered & Protected



 
▲ Voltar ao Topo