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Besame Mucho de Mário Prata

27/08/2011 .
O Teatro Brasileiro e a Censura
Selecionamos para esta edição: A peça Besame Mucho de Mário Prata.
Um breve resumo escrito pelo próprio autor e para ilustrar este artigo, algumas cenas da peça em vídeo.


Besame Mucho (A peça) Retrata a amizade fraternal de dois rapazes por mais de três décadas. É escrita de trás para frente, iniciando por um final trágico, em 1982, e terminando pelo início, em um baile de formatura, em l962, numa cidade do interior, ou seja, a trama se desenvolve quando os anos dourados também são de chumbo, mas, mais do que isso, reflete, além da repressão da ditadura, as repressões sexuais devido aos ensinamentos religiosos. As cidades do interior eram filiais do Vaticano. A maioria dos colégios era de religiosos e tudo era pecado. Os amigos são Xico e Tuca, que namoram Olga e Dina. O próprio Mário Prata informa que se trata de uma história de amor entre quatro pessoas, sem as quatro paredes. O jogo é aberto. Assim, o palco é, muitas vezes, dividido em dois planos. Xico se torna escritor e casa com Olga, que é intelectual. Tuca permanece no interior e casa com Dina. O primeiro casal vive um drama de criatividade. Ele é o escritor, mas ela, socióloga, é quem escreve para ele. Dina, em virtude da repressão sexual exercida pelas freiras, revela-se fria, não consegue ter orgasmo, até que, fantasiando, se veste de Marilyn Monroe, quando explode de prazer e, daí para frente, o casal passa a fantasiar cada vez mais. Transformam-se em outras pessoas, como um mendigo, um chofer, etc., vestindo-se e falando como estes. Uma curiosidade: os contra-regras também representam ao mudar o cenário, são chamados de ele e ela, um bolinando o outro na penumbra entre atos. É uma peça dentro da peça. Como disse, a tragicomédia começa pelo fim, que não vou revelar, para não irritar o possível espectador ou leitor, mas posso revelar o fim, que é o início romântico da amizade/amor entre Xico e Tuca. Não um amor homossexual, mas, nas palavras do próprio autor, um homotermurismo: ternura entre pessoas do mesmo sexo, palavra que ele espera entrar um dia para o dicionário do Aurélio. Tudo ao som do Besame Mucho
Fonte da Imagem: http://torlonistar.blogspot.com/2010/07/relembre-christiane-torloni-no-filme.html
( Tivemos que reeditar esta postagem, pois o primeiro vídeo com cenas da atriz Christiane Torloni e o ator Antonio Fagundes, que protagonizaram o Filme "com excelente  interpretação, foi retirado da veiculação pelo proprietário do mesmo no YouTube. )

Que ao soar a terceira campainha, o palco possa ecoar:

“Toda e qualquer forma de expressão da Arte e de seus Criadores.”

By Arte e Café

18 Comentários:

Jackie Freitas disse...

Oi minha querida amiga!!!
Esses "Anos Dourados" trouxeram muitas questões à tona! A repressão, apesar de aterrorizante, conseguia fazer com que os artistas aflorassem grandes textos e fizessem muitas reflexões sobre uma vida que não muda... Com ou sem repressão, ainda vivemos os mesmos dilemas, sofremos as mesmas dores, mantemos os mesmos medos... Muitas vezes vejo que a maior repressão nasce conosco e somos nós que as mantemos aprisionadas, esperando o momento certo das cortinas se abrirem e o show da vida começar de verdade!
Adorei saber mais sobre Besame Mucho, minha querida! Você é uma artista e não poderia ser diferente essa sensibilidade e bom gosto tão naturais!
Grande beijo,
Jackie

Leninha disse...

Querida Alba,vivi esta época,estudei em colégio de freiras e sei bem como era a repressão a tudo e a todos que não rezassem pela mesma cartilha.E é esta mesma repressão que nos acompanha pela vida afora,sufocando nossos sentimentos e trazendo
sempre a sensação do proibido às coisas mais banais.
Amei voltar ao seu blog,depois de um longo tempo.Sua escrita firme,seu modo de falar de uma época que está marcada a ferro e fogo em nossas mentes.
Parabéns,querida.Voltarei sempre,tá?
Bjsssss,
Leninha

Flora Pires disse...

Olá querida amiga Alba!
Que linda história contada com lembranças de épocas tão duras e de repressão! Infelizmente ainda encontramos muitas mulheres vítimas das “filiais do Vaticano” e que tem suas vidas tão reprimidas como se ainda vivessem aqueles dias.
Tempos difíceis de serem superados pelos mais antigos!
Parabéns pelo tema abordado que como sempre acrescentam muito conhecimento.
Beijos carinhosos!

Alba Simões disse...

Querida amiga Jackie
Realmente, concordo que a nossa total liberdade, não depende somente dos fatores externos... Depende muito das nossas crenças e convicções a respeito de nós mesmos!
Muito bem colocado!
Muito obrigada pela maravilhosa presença e comentário!
Beijos com carinho!

Alba Simões disse...

Querida Leninha!
Sou muito grata por registrar enriquecedor comentário sobre este tema!
Volte sempre!
Fico muito lisonjeada pelo seu apreço ao Blog e as nossas publicações!
Beijos com carinho!

Alba Simões disse...

Querida amiga Flora
Realmente, nos dias atuais, infelizmente existem ainda outros tipos de repressão!
Um exemplo muito bem colocado em seu comentário.
Muito obrigada pela presença, por prestigiar o artigo e registrar sua valiosa opinião!
Beijos com carinho!

ebraelshaddai disse...

Eis a Vida do Tearo encenando o Teatro da vIda, a transfiguração do ser humano, o bailar entre máscaras das personalidades fugidias de nós todos...

Me lembrei agora de Luis Miguel cantando essa música, se não me engano, a primeira canção em espanhol que escutei na vida...

Abço!

Dú Pirollo disse...

Olá minha querida amiga Alba!!!
Minha amiga, sabe que lendo esse resumo da bela peça de Mário Prata fiquei pensando um pouco sobre esses anos repressivos e cheguei a conclusão que a censura e repressão deveriam sim existir, mas apenas contra a corrupção, autoritarismo e descaso social... como vê o termo censura não é tão feio ou ruim, só foi aplicado erroneamente, se aplicado onde deveria não ficaria tão feio... foi uma inversão de valores, não acha? Neste mundo tudo tem o seu lado bom, nós é que fazemos o uso errado.
Parabéns novamente pela bela iniciativa, gostei da parte 1!!!
Tenha uma linda e abençoada noite!!!
Beijos com carinho e muita paz!!!

Alba Simões disse...

Ebrael
Trata-se de uma peça dentro de outra peça.
É um texto tão complexo como a vida!
Besame Mucho foi gravado por vários cantores (as), e também se consagrou como trilha musical desta obra de Mário Prata!
Muito obrigada pela presença e comentário oportuno e poético!
Grande abraço!

Alba Simões disse...

Querido amigo Dú.
Neste ponto estamos em total sintonia de pensamento!
Concordo que a palavra censura, não é nada pesada em todos estes fatores que você abordou!
Mas quem se habilita a censurar hoje tanta coisa podre que circula pelos quatro cantos do mundo?
Realmente houve muita inversão de valores!Em épocas mais inocentes, éramos punidos simplesmente por nos opormos as severas regras militares!
Muito obrigada por valioso comentário!
Sempre enriquece os artigos com suas profundas e sábias reflexões!
Um beijo com carinho!
Um fim de semana pleno de paz!

Sissym disse...

Alba, eu estudei em colegio salesiano, mas ele não era tão radical. Alias, até que meus anos foram os melhores possiveis. Contudo, eu vivi meus primeiros anos no tempo do tabu, da ditadura tambem, de quanto havia a censura cortando, de maneira ridícula, o óbvio.

Eu não conheci esta peça, pelo que já vivi, é muito interessante ler sobre.

Beijos e otimo domingo.

Alba Simões disse...

Querida Sissym
Muitos vivenciaram este período, apenas com algumas lembranças nada agradáveis!
Infelizmente toda boa história tem seu lado árduo a ser resgatado.
Uma forma de mostrar que somos brasileiros e vencemos muitas formas de repressão!
Obrigada pelo rico depoimento!
Beijos com carinho!

lisonlisononline disse...

Saudações!
Amiga ALBA:
Na verdade o seu artigo relata em forma de documentário uma passagem negra, igualmente, acho que a obra não se encontra muito desatualizada e vejo que muito se repete nos dias atuais. Diria que existe uma espécie de ditadura turva onde gestores vivem a ensaiar pelo silencio de alguns, em especial se for portador de notoriedades aí as forças “ocultas” dão a ordem gerando-se dificuldades de todos os tamanhos principalmente em se tratando de cultura.
Num simples ensaio em se pensando em produzir uma peça, um disco, um livro se faz necessário percorrer um calvário, é quando a mão da corrupção passa a vender dificuldades para obter facilidades $$$ e tal prática hoje, encontram-se na maioria dos órgãos governamentais e demais instituições privadas.
Parabenizo-a pelo seu nobre trabalho!
Parabéns por mais um excelente Post!
Abraços,
LISON.

Samanta Sammy disse...

Olá minha querida amiga !!!!

Desculpe o atraso, passei uns dias visitando a família e cheguei ontem ! Mas aqui estou :)

Adorei a postagem, como sempre lhe digo, você com seus conhecimentos e sensibilidade sempre traz algo para enriquecer minha cultura e cada vez me surpreendo e me apaixono mais por este mundo que me apresenta !
Adorei a história e até me identifiquei pois cresci numa cidade pequenina, onde este tipo de repressão ainda é muito forte ! Pode parece loucura, mas as coisas em certos lugares não mudaram muito... os colégios de freiras com seus valores exagerados, a cultura do povo que acaba sendo hipócrita demais, os julgamentos, preconceitos... é muito triste ver que muitos de nós não evoluíram na visão destas questões.
Graças aos céus eu sempre fui prafrentex e acho tudo muito normal, o que me ajudou bastante quando me mudei para um grande centro e te confesso que me senti liberta por poder viver perto de mais pessoas com uma visão mais aberta e valores mais coerentes.

Um mega beijo marcial e bom restinho de semana !

Alba Simões disse...

Prezado amigo Lison!
Concordo plenamente com seu enriquecedor comentário!
Cultura nunca foi prioridade nos governos corruptos!
E infelizmente isto sempre será verdade, enquanto os interesses politiqueiros prevalecerem, em uma sociedade alienada!
Muito grata pela presença e valoroso comentário!
Grande abraço!

Alba Simões disse...

Querida amiga Sam!
Você não tem nada que se desculpar.
É sempre bem vinda, é da casa!
Fico muito feliz em poder lhe mostrar um pouco deste vasto mundo literário. Eu também nasci e cresci no interior é bem por aí...
Talvez por todos estes motivos, Mário Prata (O Autor de Besame Mucho) e outras grandes obras literárias, têm esta mesma visão da hipocrisia moral das províncias.
Pois ele também viveu em uma cidade do interior...
Seu comentário é perfeitamente coerente com a sátira apresentada em Besame Mucho!
Adorei querida!
Sempre contribuindo para o enriquecimento dos temas publicados!
Muito obrigada pela presença e excelente comentário!
Beijos Marcias e um belo domingo!

Beth Muniz disse...

Oi minha querida dramaturga!
Estou de volta.
Vim tomar um café e saborear Arte.
Besame Mucho foi realmente uma revolução à época.
Período da “Distenção política e abertura lenta (mais que lenta) e gradual...”
E só não foi senssurada por conta disso.
Não assisti. Estava em outras frentes. Mas acompanhei atentamente a repercursão e depois assisti ao filme.
Bem, amor é amor. Seja lá como for...
A repercursão na mídia conservadora foi grande. Setores do meio artístico também viraram o nariz...
Ainda bem que não controlavam os teatros...
Assim como o Mário espero que um dia os dicionários sejam atualizados.
Parabéns mais uma vez!
Continuo sua fã!
Beijo grande.
Beth Muniz

Alba Simões disse...

Olá Beth
Fico feliz com seu retorno a blogosfera e principalmente com sua presença aqui.
Eis um tema que você tem profundo conhecimento!
É mestra no assunto: Censura conservadorismo e repressão dentre outros...
Agradeço sua presença e comentário que vem agregar conteúdo de grande valor!
É sempre uma honra recebê-la!
Beijos com carinho!

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