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Você sabe ou você sente ?

12/07/2010 .

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Você já reparou o quanto as pessoas falam dos outros?
Falam de tudo.
Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzices, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos.
Sobretudo falam do comportamento.
E falam porque supõem saber. Mas não sabem.
Porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente. Se sentissem não falariam.
Só pode falar da dor de perder um filho, um pai que já perdeu, ou a mãe já ferida por tal amputação de vida.
Dou esse exemplo extremo porque ele ilustra melhor.
As pessoas falam da reação das outras e do comportamento delas quase sempre sem jamais terem sentido o que elas sentiram.
Mas sentir o que o outro sente não significa sentir por ele. Isso é masoquismo.
Significa perceber o que ele sente e ser suficientemente forte para ajudá-lo exatamente pela capacidade de não se contaminar com o que o machucou.
Se nos deixarmos contaminar (fecundar?) pelo sentimento que o outro está sentindo, como teremos forças para ajudá-lo?
Só quem já foi capaz de sentir os muitos sentimentos do mundo é capaz de saber algo sobre as outras pessoas e aceitá-las, com tolerância.
Sentir os muitos sentimentos do mundo não é ser uma caixa de sofrimentos.
Isso é ser infeliz.
Sentir os muitos sentimentos do mundo é abrir-se a qualquer forma de sentimento.
É analisá-los interiormente, deixar todos os sentimentos de que somos dotados fluir sem barreiras, sem medos, os maus, os bons, os pérfidos, os sórdidos, os baixos, os elevados, os mais puros, os melhores, os santos.
Só quem deixou fluir sem barreiras, medos e defesas todos os próprios sentimentos, pode sabê-los, de senti-los no próximo.
Espere florescer a árvore do próprio sentimento.
Vivendo, aceitando as podas da realidade e se possível fecundando.
A verdade é que só sabemos o que já sentimos.
Podemos intuir, perceber, atinar; podemos até, conhecer.
Mas saber jamais.
Só se sabe aquilo que já se sentiu.


Artur da Távola
Recomendamos a leitura dos dados biográficos do autor:
Artur da Távola - Dados Biográficos

11 Comentários:

brazroso disse...

Parabéns pela bela colocação de assunto tão em evidência nos dias atuais, onde todos sabem tudo e na verdade não sabem nada, preocupar-se com os sentimentos alheios no bom sentido, dando apoio quando necessário, socorrendo quando há necessidade tudo bem. Mas as críticas porque os outros não estão do jeito que queremos, aí fica difícil.

CavaleiroVirtual disse...

Salve, Confrade!
Meus parabéns por sua abordagem tão clarividente de um assunto tão complexo!
Um dito indígena da extinta nação Comanche da Norte-América diz:"jamais julgue um homem, até que tenha andado pelo menos uma milha sobre as suas sandálias".
E também a imcomparável Maria Bethania nos diz, numa de suas belíssimas canções: "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é!"
E até a mais sábia das anciãs - minha velha e linda Mãe, é claro! - diz: "O coração alheio é terra que nimguém visita sem permisão!" E eu acintosamente ouso acrescentar: "E ao diabo com os estúpidos julgadores de plantão!" rsrsrsrs
O cavaleiro Virtual lhe envia um abraço fraterno
Este teu Confarde: Max Costa

LISON disse...

SAUDAÇÕES!
AMIGA:
Mais uma hiper mensagem reflexiva que você nos presenteia... Um tema delicado abordado com a clareza dos sábios. Ensaiar em vivenciar a essência do texto, penso que será um passo trôpego rumo a boa convivência junto aqueles que nos são caros. Mas, é alguma coisa. Agora, o ideal seria todos sepultarem para sempre os sentenciamentos, isso independente de ter noções dos fatos ou não. Mal cuidamos de nossas próprias vidas.
Parabéns por mais uma excelente matéria!
Abraços,
LISON.

Samanta disse...

Olá querida amiga !!

Belíssimo texto !!
Gostei muito da reflexão colocada, eu mesma não tinha pensando nisso profundamente !
Só mesmo quem viveu e sentiu algo, sabe onde lhe dói ou lhe faz bem.
Até mesmo se passarmos por uma situação semelhante, talvez a maneira de lidar com ela e o sentimento que ela provoca em nós, não será como na outra pessoa.
Sim, devemos ser tolerantes e abrir o coração para ajudar quem precisa, aplaudir quem merece, sem se deixar levar pela sensação de ser dono da verdade absoluta sobre qualquer assunto que seja.
A humildade de saber que nunca seremos perfeitos e aceitar esta condição no nosso próximo, só nos trará o Bem e ajudará no nosso crescimento, sem dúvida.
Muito bom !
Obrigada por me fazer pensar neste assunto, acredito que todos nós precisamos nos reavaliar sobre isso.

Um enorme beijo em seu coração !

Jackie Freitas disse...

Olá minha querida amiga Alba!
Adoro esse texto do Távola! A primeira vez que o li fora justamente numa época em que uma mãe havia sofrido a perda da filha e aí se falava sobre a questão de não saber do sentimento que atinge uma pessoa em um momento desses, se nunca o viveu. Obviamente (e em alguns casos, graças a Deus)se não vivenciamos, não temos como mensurar, porém, temos como imaginar, pois somos tocados o tempo todo por diversos sentimentos de perdas, dores, angústias... e nos colocamos no lugar da pessoa. Simulação não é o mesmo que a experiência real, mas dá parâmetros. O problema que vejo é que muitas pessoas se incomodam quando outras querem verdadeiramente ajudar e outro problema (talvez ainda maior) é que as pessoas se fecham em suas dores e sofrimentos e não aceitam que apesar de tudo, elas fazem parte do crescimento. Se colocam como exclusivas e únicas nesse quesito, sendo que existem vários tipos de perdas e algumas silenciosas e mais devastadoras. Se as pessoas fecham suas mentes, com certeza só enxergarão no outro "pretensão" em ajudar sem nunca ter vivido e às vezes até maldade, mas jamais enxergarão que é apenas uma forma de querer ajudar...Então, apesar de gostar muito desse texto, tenho minhas ressalvas com o ponto de vista que ele passa... Claro, cada um absorve a mensagem da forma que quiser...
Grande beijo, minha querida!
Jackie

Sissym disse...

Eu sei separar o que sei do que sinto. Infelizmente, já passei por algumas provações que me ensinaram a sentir. E ainda tem outra coisa a dizer, eu me coloco muito no lugar das pessoas, porque não posso passar por cima de seus sentimentos.

Quando denunciei a violencia domestica que sofria, uma amiga me disse: "- não fique falando por aí sobre isso, porque só quem passou que vai lhe entender, quem nunca passou pode lhe compreender mal. Comigo, que já passei por isso, pode sempre desabafar. "

Só que eu vi os dois lados, aqueles que imaginam e outros que entendem. Os que entendem, compreendem porque se interessam, eles leem, eles acompanham noticiários, eles estão informados e informatizados.

Nunca poderei saber exatamente, neste momento, o que é a dor de perder um filho, eu só perdi no ventre, mas não fora dele, porém, como sou mãe, tenho o pavor de pensar que possa sofrer algo semelhante. Então, eu sou solidária!

Fatima Zanin disse...

Amiga Alba,gostei muito do texto,quem tem experiência de vida é mais fácil poder ajudar,e não se deixar contaminar pelos problemas vivido pelos outros,pois nas dificuldade temos que saber encaminhar a situação para que possamos ajudar realmente,mas é necessário controle para certas situações,caso contrário pode até atrapalhar,mas nunca deixar de ser solidário.
Beijo.

Artigos & Crônicas disse...

Olá Amiga,
Excelente reflexão sobre o verdadeiro "saber".
Entendo que além de só saber quem já sentiu, ainda existem as circunstâncias que, geralmente, são diferentes.
Isso nos mostra que, mesmo que tenhamos passado por situação semelhante, não devemos julgar as atitudes, pois como a situação é diferente, também será justificável que se tenha um comportamento diferente do que se normalmente espera.
Obrigada por compartilhar.
Abraços.
Sonia Costa

Histórias & Estórias disse...

É isto mesmo! Só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão!

Della disse...

Amiga, é exatamente assim que eu penso!
Cada um é que de acordo com sua bagagem de vida sabe a proporção de seus sentimentos e de suas dores. Acho que àqueles que realmente querem ajudar, em diversas situações o melhor a fazer é estar ao lado segurando as mãos. provavelmente será a melhor ajuda. Grande abraço!

Fabiano Roberto disse...

sem duvida cada um conhece os próprios sentimos e mesmo quando já passamos por uma situação parecida não quer dizer que sentimos as mesmas coisas, afinal cada um tem sua própria relação com as outras pessoas e seu modo de ver a vida...

no caso que citou "perder um filho" quem já passou por isso pode ter vivido sentimentos parecido nunca iguais.

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