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A exceção e a regra Bertold Brecht

29/06/2010 .
Em diversos momentos da formação social da humanidade passamos por crises que causaram a detração do direito primordial do homem à democracia. Nesses momentos, poucos realmente se levantaram contra essa opressão e fizeram de seu pensamento, uma luz de esperança para aqueles que necessitavam. É nesse ponto em que a vida e obra de Bertold Brecht expressa toda sua riqueza e importância para nossa sociedade moderna e para suas futuras gerações. O dramaturgo foi um militante e intelectual que dirigiu todos seus esforços para a construção da liberdade de pensamento e manutenção de uma sociedade mais justa, em defesa dos oprimidos.
Discutir a vida e obra de Bertold Brecht é fazer uma reflexão incontestavelmente humana e ácida sobre uma sociedade moderna e indiferente. Somos colocados diante de uma obra que nos leva a uma posição questionadora dessa realidadeconcreta em que vivemos. A obra do dramaturgo mundialmente reconhecido reflete a luta contínua e inconfundível do ser humano sensibilizado por uma sociedade verdadeiramente livre.
A obra de Brecht entrelaça-se e é influenciada radicalmente pela vida conturbada levou em seu tempo. Nascido em 10 de Fevereiro de 1898, em Augsburgo na Alemanha, Bertold Brecht logo entraria em contado com os fatos que certamente o tornariam um defensor das causas humanas: a Primeira e Segunda Guerra Mundial. 
As influências desses tempos sombrios na vida de Brecht não são uma casualidade qualquer. O dramaturgo serviu como enfermeiro na primeira guerra mundial, e com essa experiência teve contato com o que pior a guerra pode oferecer: a  fome, a repressão e os massacres. Estas experiências afetaram profundamente seu estilo livre  de denunciar as atrocidades cometidas pela humanidade.
A forma militante de escrever e criticar a opressão sobre sociedade daqual fazia parte, juntamente com a sua conversão ao socialismo, provocou uma intensa perseguição do regime nazista. Tal repressão levou o autor apassar diversas dificuldades de ordem financeira e de segurança que posteriormente levou ao exílio.


A massiva perseguição sofrida por ele levou-o a mudar-se freqüentementede moradia. Essa peregrinação se tornou constante, levando-o a se abrigar em países como França, Dinamarca, Finlândia e Estados Unidos, onde permaneceu por seis anos. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, Brecht voltou a Europa e residiu em Berlim, na Alemanha Oriental até a sua morte, em 14 de Agosto de 1956.
A vida conturbada e opressiva vivida pelo autor fortaleceu no dramaturgo seu caráter denunciador, e, precocemente o lançou na dramaturgia e na literatura. Ainda muito novo optou pelo expressionismo sem se agarrar a nenhuma escola literária. A prática de uma arte dramática não aristotélica (sem normas) lhe permitiu romper com regras secularmente estabelecidas de forma e fundo.
A liberdade do rompimento com as formas daria a seu discurso literário mais espontaneidade e mais plasticidade. Dessa forma, manejou toda sua obra demaneira mais sábia, em defesa da liberdade do homem e fez com que seu pensamento chegasse a todos, que nele, encontrassem conforto e coragem.
O escritor apareceu na fase crepuscular da burguesia, em plena ascensãodo movimento operário e em meio a uma intensa transição social. Embora ligado ao partido comunista, não se subordinou ao realismo socialista, mas, opôs-se aele com ardente tenacidade. Brecht acreditava que o intenso embate de forças antagônicas entre socialismo e o regime nazista era o principal motivo do fortalecimento de Hitler e acabaria por causar as atrocidades verificadas, mais tarde, no desenrolar da Segunda Guerra.
Umas de suas grandes características que ecoa ainda hoje é a crítica da aparente liberdade de nossa sociedade moderna e sua recusa de aceitar uma poesia alheia aos acontecimentos sociais. O autor exigia que ela fosse atuante, moderna e a serviço de uma revolução.
Mesmo atuante, não se submetia ao convencionalismo e aos preconceitos sociais. Aceitou em sua obra a concepção de Hegel, de que há nos fenômenos artísticos uma realidade superior e uma existência mais verdadeira em comparação com a realidade habitual e cotidiana.
 Para atingir o homem do seu tempo o pensador almejou um entrelaçamento da arte com a ciência. Nessa soma procurou justificar o seu papel nas letras sociais e políticas do seu mundo. Um teatro eminentemente político, aberto e declaradamente a serviço da causa operária e da revolução social. Tal fato conferiu à obra do autor um caráter pontualmente universal.
A voz universal emanada da obra desse escritor e pensador, transcendeu às barreiras de seu tempo, e, se reflete na modernidade de nosso tempo como uma luz a dissipar a neblina do conformismo que cobre nossa sociedade. Essa voz de libertação e universalidade de pensamento é o bem mais precioso herdado por nossas gerações.
Leonardo Rodrigues de Oliveira


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2 Comentários:

brazroso disse...

É um tema muito interessante, a palavra democracia, usada talvez de outras formas na antiguidade e modernizada para os dias atuais, mas no contexto real acredito que ela nunca existiu ou existirá. Sempre haverá pessoas ou grupos lutando pela liberdade, mas assim que a conseguem, procuram uma maneira de dominar o semelhante, talvez não físicamente, mas mentalmente, utilizando-se de diversas maneiras.

Beth Muniz disse...

Oi minha querida amiga,
Um pouco atrasada...rsrs
Bem, sabemos da importância de Brechet. E muito!
Uma referência sempre. Atualissímo como bem temos dito.
Belíssmo texto.
Não sei mais o que falar. Sou suspeita!
Então, o melhor a fazer é compartilhar.
Bom domingo.
Beijos mil.

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