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Em busca dos efêmeros - Márcia Tiburi

22/06/2010 .



Ando em busca dos Efêmeros.
Encontro-os por todos os lados.
Passantes calmos ou aflitos, vendo-se ou vendo-me.
Os efêmeros são os vivos, os que podemos ver, e os fantasmas que vemos mesmo que não existam, e os que existem e não podemos ver. 
Qual a cegueira que nos toca, que nos impede a mira?
O que eu veria se destapasse os olhos? Veria os efêmeros, os que se escondem, atrás de suas próprias nucas, e à sua frente perdidos de si mesmos em busca de si mesmos por meio de outros, e os outros? 
Outros, os desistentes e os insistentes, os efêmeros com seus sapatos, saias, bolsos, máquinas de fotografar, sombras; lêem livros, fazem teatro, assistem,esperam, comem, andam, olham, chegam, vêem, vão, os efêmeros estão por todos os lados, simples, complexos, apressados, com seus trejeitos, sorrisos, fome, seus objetos de espera, de sedução, repetem a vida, repetem a morte em vida, repetem a vida em vida, a armadura que sustenta toda vertigem.  Os efêmeros formam atalhos, desvios, andam, andam, seguem lemingues sempre prontos ao abismo lento ao qual demos o nome de esperança. Os efêmeros são feitos de sinais, filigranas, fascínio, atenção, esperas, pés no chão, amor, prazer, conversas, ordens, são antípodas, são a nossa imitação. 
Os efêmeros nos perguntam e não respondem, os efêmeros só esperam que os ajudemos a atravessar a grande vertigem.
Sempre a espera do grande contentamento invisível.
Desnudemos os olhos.
Queremos nossos olhos nus para que os efêmeros passem em seu cortejo triunfal em paz.
Os efêmeros somos nós.”
Autora: Márcia Tiburi

5 Comentários:

Jackie Freitas disse...

Olá Alba querida!
Muito profundo e bonito esse texto da Márcia! Acredito também que todos nós somos efêmeros e que tropeçamos nessas buscas da vida... Mas aprendemos e deixamos, de alguma forma, nossa marca! Ainda prefiro seguir a vida fazendo dela o meu grande balaio, confuso e agitado, do que ter a normalidade e o tédio como fonte de energia.
Grande beijo, minha querida! Como sempre é um grande prazer vir aqui ler, pois as suas seleções são sempre oportunas e prazerosas.
Jackie

Samanta disse...

Olá minha querida Alba !!

Realmente somos efêmeros, simples e complexos, como diz o texto, acredito que a diferença entre uns e outros seja a maneira com que deixamos nossa assinatura no mundo e na vida e se crescemos enquanto passamos por aí, assim tão efêmeros...
Lindíssimo e verdadeiro, adorei !
Um enorme beijo !

Paulão disse...

Buenas Alba,

hummm...ainda estou pensando sobre o texto, tentando não ser efêmero...

Por que não ser efêmero? Todos somos. Mas esse é o problema, não gosto de ser como todos. No fundo, acho que não somos todos iguais e não devemos ser. Cada um de nós é um universo pronto para ser descoberto por nós mesmos. O que talvez nos torne efêmeros é pensar que não podemos ser diferentes...que não somos únicos. É o principal, não paramos para olhar a beleza do minuto-a-minuto...corremos atras do tempo e esquecemos que devemos apreciá-lo.

Ótimo post.

Bju

Paulo (Pithan Pilchas)

Sissym disse...

Se tivermos consciencia que a vida pode ser efemera, talvez a tratemos com maior cuidado e respeito. Somos passageiros neste mundo, então, que deixemos nossas marcas com sabedoria.

blogpaedia.com.br disse...

Shakespeare certamente estaria repaginando o seu "ser ou não ser" diante dos efêmeros.

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